PT
A memória e o imaginário atravessam o meu trabalho como territórios em deslocação contínua, feitos de fragmentos, vestígios e tempos sobrepostos. O espaço surge como lugar de inscrição da experiência, onde o corpo e a consciência se confrontam com a permanência e a perda. A imagem afirma-se como rasto e sobrevivência, guardando camadas de sentido que resistem ao esquecimento, numa proximidade silenciosa com o pensamento de Walter Benjamin.
O território é entendido como matéria instável, em permanente transformação. Neste sentido, o trabalho aproxima-se da ideia de devir formulada por Gilles Deleuze, onde o movimento, a deriva e a tensão substituem qualquer noção de forma fixa. O gesto pictórico torna-se lugar de escuta e de passagem, dando origem a paisagens ambíguas que se constroem entre o visível e o sensível.
As obras configuram espaços interiores e mapas incompletos, onde memória, percepção e experiência quotidiana se entrecruzam. São lugares de passagem, onde os limites se diluem e a imagem permanece em suspensão.
EN
Memory and the imaginary traverse my work as territories in continuous displacement, shaped by fragments, traces, and overlapping temporalities. Space emerges as a site of inscription for experience, where body and consciousness confront permanence and loss. The image asserts itself as trace and survival, preserving layers of meaning that resist forgetting, in quiet proximity to the thought of Walter Benjamin.
Territory is understood as unstable matter, constantly in transformation. In this sense, the work approaches the idea of becoming articulated by Gilles Deleuze, where movement, drift, and tension replace any notion of fixed form. The pictorial gesture becomes a site of listening and passage, giving rise to ambiguous landscapes constructed between the visible and the sensible.
The works configure interior spaces and incomplete maps, where memory, perception, and everyday experience intersect. They are places of passage, where boundaries dissolve and the image remains in suspension.